sábado, 2 de novembro de 2019

Máquina do Tempo: Crise nas Infinitas Terras - No começo eram muitas



Foi a primeira grande saga dos comics, Crise nas Infinitas Terras tinha como intento comemorar os 50 anos da DC e ao mesmo tempo resolver os problemas de cronologia e continuidade que assolavam a companhia. Estreou em Abril de 1985 e se prolongou por 12 edições, fora as edições mensais que estavam ligadas de forma directa ou indirecta, acabando a Março de 1986 e dando origem a um novo Universo DC.

Vou começar um texto com um aparte pessoal, eu era um "marvete" nos anos 80, já tinha lido aqui e ali edições da distinta concorrência e apesar de gostar de algumas histórias do Batman e da Liga da Justiça, eram as do Homem-Aranha, Vingadores, Homem de Ferro, Punho de Ferro, Mestre do Kung-fu e afins que mereciam a minha preferência. Mas um dia deram para a minha mão um Superamigos, o número 24, e fiquei completamente vidrado com aquilo que acontecia naquelas páginas, aquela saga onde heróis estavam a lutar contra um inimigo tão poderoso que os conseguia matar era demais para o meu coração jovem. Comecei assim a seguir com mais atenção as revistas da DC e por isso tenho sempre um carinho muito especial por esta saga.


Painel antes de Crisis
Esta pequena explicação serve ao mesmo tempo para mostrar o porquê da criação desta maxi-série, a cronologia da DC era um pouco confusa e afastava alguns novos leitores, com as várias versões dos mesmos heróis vivendo em várias terras diferentes. Vendo a concorrente Marvel a ganhar cada vez mais espaço no mercado, não foi por isso de estranhar que quem estivesse no poder da DC, achasse que era altura de grandes mudanças, e que melhor altura para isso do que no 50º aniversário da companhia?

Tanto a presidente Jennete Khan como os vice presidentes Dick Giordano e Paul Levitz. percebiam a importância e a necessidade de acontecer algo do género, Nas reuniões efectuadas escolheram a equipa criativa que ficaria à frente do evento, assim como ficaria definido que heróis poderiam morrer e quais sofreriam mudanças no final disto tudo. O escritor Marv Wolfman e o artista George Pérez, responsáveis pela revista dos Novos Titãs que vinha tendo muito sucesso, foram os escolhidos pelos responsáveis da DC, com o veterano Len Wein como editor da série. Giordano seria responsável pela arte-final, mas devido às suas outras funções a dada altura isso passou para Jerry Ordway.
Como sagas envolvendo todo um universo era algo de novo, os editores tiveram a difícil tarefa de fazer com que os escritores das várias revistas respeitassem o que ia acontecer. Num memorando enviado para todos, foi pedido para que usassem pelo menos duas vezes num ano a personagem do Monitor, o mesmo não deveria aparecer mas ser mencionado e representado de alguma forma. Maior parte dos autores optaram por aparições sombrias e dando a ideia de que aquela personagem seria um vilão, quer pelo texto quer pela forma como ele (não) era retratado.

Revistas como All Star Squadron, New Teen Titans, Firestorm e tantos outros seguiram isso à letra, muitas vezes mostrando vilões que pelos vistos recebiam as suas armas desse misterioso monitor. Foi essa a forma encontrada pelos autores e logicamente seguindo a ideia que já estava delineada por Wolfman. O autor foi a escolha certa para esta empreitada, ele era um ávido crítico dos problemas criados pelo Multiverso da DC, recordando que aquilo que havia começado como um sonho (a história Flash of Two Worlds), tinha se tornado um pesadelo por causa de escritores que usaram e abusaram desse conceito.

A história que mostrou o encontro entre os dois Flashs, e cimentou o conhecimento de existirem duas terras com os seus respectivos heróis, foi aquilo que despoletou o conceito do multiverso. Começaram a aparecer cada vez mais terras, a própria companhia incentivava isso, colocando heróis que tinha comprado de outras editoras em terras próprias, que por vezes se cruzavam com os da terra principal.

Para a história de Crisis, Wolfman usou conceitos que tinha de uma personagem que tinha idealizado há muitos anos, que colectava informação sobre todos os heróis e que se chamava o Bibliotecário, Mudando o nome para Monitor, mas mantendo algumas das características, estava assim encontrado aquele que viria a ser um dos principais rostos do que viria por aí.


Nascido na lua de OA, o Monitor apareceu logo após o big bang despoletado pela ânsia de conhecimento do alien Krona, que fez inadvertidamente com que fosse criado um universo positivo, e outro para contra balançar, um universo de anti-matéria que tinha um mundo quase igual a OA, chamado Qward, e na lua desse planeta nasceu o Anti-Monitor, o grande vilão que vinha assim balançar o poder do universo.
Os dois "irmãos" iram "acordar" quando o cientista Kell Mossa tenta testemunhar a criação do universo, fechando-se numa sala de anti-matéria rejeitando de forma arrogante os apelos de todos que o rodeavam e avisaram dos perigos que isso podia causar. Mossa aparentemente ajuda a que o Anti-Monitor comece a sua missão de destruir os diversos universos, lançando uma nuvem de anti-matéria que começou por destruir o próprio mundo do cientista, que é salvo pelo enigmático Monitor.

Ficando com o nome de Pária, ele é forçado a teleportar-se de mundo para mundo, de dimensão para dimensão, assistindo sem hipótese de fazer algo contra isso à destruição desses universos. Foi assim que o começamos a ver, sempre a chorar por ser o causador daquilo tudo mas que não podia fazer nada para o impedir, Encontramos universos conhecidos, como o que continha a versão maligna da Liga da Justiça, e víamos estes desaparecerem sem se perceber o porquê. Na terra três vemos ser salvo o Alexander Luthor, ainda um bebé e que é colocado dentro de um foguete (ah a ironia), que mais tarde viria a revelar-se um dos elementos mais importantes da história.

Por outro lado, começava-se a ver mais do monitor e da sua ajudante, a Harbinger (Precursora) que tinha alguns poderes (voava e podia multiplicar-se) e ajudou o monitor a colocar o seu plano em prática e a juntar diversos heróis de diversas terras no seu satélite. Foi com essa imagem icónica, como só Perez poderia retratar, que começou a sério a aventura que nos iria apaixonar a todos.

Arion, Blue Beetle, Cyborg, Dawnstar, Doctor Polaris Firebrand, Firestorm, Geo-Force, Green Lantern (John Stewart), Killer Frost, Obsidian, Psimon, Psycho-Pirate, Solovar e Superman (Earth-Two) apareciam assim juntos no mesmo espaço. Heróis e vilões de diversas terras, uns nem se conheciam, outros já se tinham cruzado, e todos com alguma importância para o que viria acontecer.

Mas isso fica para a segunda parte destes artigos a comemorar o aniversário deste mega evento.




















Para quem gostar de viagens ao passado pode sempre visitar o meu outro blog, Ainda sou do tempo.

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