domingo, 26 de janeiro de 2014

Craques que eu vi jogar: Taffarel


CRAQUE IMORTAL – TAFFAREL
29 de março de 2012



Nascimento: 08 de Maio de 1966, em Santa Rosa (RS), Brasil.

Posição: Goleiro

Clubes: Internacional (1985-1990), Parma – ITA (1990-1993 / 2001/2003), Reggiana – ITA (1993/1994), Atlético Mineiro (1995-1998) e Galatasaray – TUR (1998-2001).

Principais títulos por clubes: 2 Copas da Itália (1992 e 2002) e 1 Taça das Taças da UEFA pelo Parma-ITA.

1 Campeonato Mineiro (1995), 1 Copa Centenário de Belo Horizonte (1997) e 1 Copa Conmebol (1997) pelo Atlético Mineiro.

2 Campeonatos Turcos (1999 e2000), 2 Copas da Turquia (1999 e 2000), 1 Copa da UEFA (2000) e 1 Supercopa da UEFA (2000) pelo Galatasaray-TUR.

Principais títulos por seleção: 1 Copa do Mundo (1994), 1 Campeonato Mundial Sub-20 (1985), Medalha de Prata nas Olimpíadas de Seul (1988) e 2 Copas América (1989 e 1997) pelo Brasil.

Principais títulos individuais:

Bola de Ouro da Revista Placar: 1988

Bola de Prata da Revista Placar: 1987 e 1988

Terceiro melhor goleiro do mundo pela IFFHS: 1991 e 1994

Terceiro melhor jogador das Américas: 1988

Terceiro melhor goleiro da Copa do Mundo FIFA: 1994

Melhor jogador na final da Copa da UEFA: 2000

Segundo melhor goleiro da América do Sul dos últimos 25 anos pela IFFHS: 2012

“Sai que é sua Taffarel!!!”

Ágil, dono de reflexos apurados, carismático, ídolo em todos os clubes por onde passou, exímio pegador de pênaltis e símbolo de uma geração que acabou com um jejum de 24 sem títulos da Copa do Mundo pelo Brasil. Cláudio André Taffarel é tudo isso, além de ser um dos maiores goleiros que o Brasil já teve, e um dos mais respeitados e conhecidos no mundo. O gaúcho de Santa Rosa foi, por quase duas décadas, um jogador à frente de seu tempo, moderno e sinônimo de segurança embaixo do travessão. Quem não se lembra das defesas impossíveis que ele fazia nas décadas de 80 e 90? Como se esquecer dos pênaltis defendidos na final da Copa de 1994 e nas semifinais do mundial de 1998? Que torcedor do Galatasaray (TUR) não se lembra do magnífico ano de 2000, quando Taffarel simplesmente parou Henry e o Arsenal (ING) na final da Copa da UEFA, garantindo o primeiro título internacional do futebol da Turquia? É… Taffarel está marcado para sempre na memória dos amantes do futebol. O Imortais relembra agora a carreira desse querido ídolo do esporte.

O início no colorado



Vindo de uma família pobre com descendência italiana e alemã, Taffarel começou a carreira em 1983 no pequenino Tupi de Crissiumal, do interior gaúcho. Depois disso, fez testes no Grêmio, mas foi reprovado. Tentou a sorte no Internacional, mas também foi reprovado. Na terceira tentativa, conseguiu, enfim, uma chance no clube colorado, que passava por um jejum de títulos importantes desde o tricampeonato brasileiro de 1979. Em 1985, ainda conhecido como Cláudio, começava sua carreira profissional e a mostrar seu estilo ágil, frio e seguro no gol, conquistando rapidamente a titularidade no colorado.

Decepções e a mudança para a Europa



Mesmo adorado no Inter, Taffarel não teve sorte no clube. Suas defesas milagrosas levaram o clube às finais dos Campeonatos Brasileiro de 1987 e 1988. Mesmo assim, ambas foram perdidas para Flamengo e Bahia, respectivamente. No campeonato gaúcho, foram cinco títulos disputados e cinco derrotas, todas para o Grêmio, que dominou o torneio no período. O tempo no colorado foi a única decepção na carreira de Taffarel, que não conseguiu conquistar um título sequer. Porém, o goleiro levou a Bola de Ouro da Revista Placar em 1988, duas Bolas de Prata, em 1987 e 1988 e foi eleito o Terceiro melhor jogador das Américas, também em 1988. Suas grandes atuações o levariam à disputa do ouro olímpico, em Seul.

O mundo conhece Taffarel



O goleiro brasileiro foi um dos melhores jogadores na disputa pelo ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. Na primeira fase, levou apenas um gol em três jogos, ajudando a seleção a ir as quartas de final. No embate contra a Argentina, nada de gol sofrido e classificação para as semifinais. No grande jogo contra a Alemanha, Taffarel fechou o gol e defendeu três penalidades, uma na prorrogação e duas na disputa por pênaltis, vencida pelo Brasil por 4 a 3, após o empate em 1 a 1 no tempo normal. Porém, seus milagres não foram suficientes para o time conquistar o sonhado ouro. A seleção brasileira perdeu para a URSS na prorrogação por 2 a 1. A medalha de prata serviu como consolação por suas atuações brilhantes e para mostrar ao mundo o grande goleiro que o Brasil estava revelando. Mas ele venceria, no ano seguinte, seu primeiro título justamente pela seleção: a Copa América.

O primeiro caneco e o fiasco na Copa



Se pelo Inter Taffarel não teve sorte, pela seleção a história começaria a ser bem diferente. Na Copa América de 1989, disputada no Brasil, o goleiro pegou tudo, e levou apenas um gol em sete jogos. O Brasil conquistou o título depois de 40 anos, e Taffarel virava de vez ídolo nacional, consolidando-se como melhor goleiro do país. A decepção viria pouco tempo depois, na Copa de 1990. O goleiro levou apenas dois gols em quatro jogos, mas um deles justamente quando não podia: nas oitavas de final, quando o Brasil perdeu para a Argentina por 1 a 0. O sonho do título mundial teria que esperar. Enquanto isso, Taffarel iria brilhar com outra camisa: a do Parma.

Começando o estrelato



Soberano no país, Taffarel despertou o interesse do Parma, da Itália, que começava a respirar bons ares com investimentos financeiros da Parmalat. O goleiro se transferiu para o clube italiano em 1990, logo após a Copa. Ele seria o primeiro goleiro brasileiro a atuar no país da bota. No Parma, ele venceu a Copa da Itália em 1992, vencendo a Juventus na final, e a Taça das Taças da UEFA, primeiro torneio internacional do clube italiano, em 1992/1993, ao bater o Royal Antuérpia, da Bélgica, por 3 a 1 na final. Na época, a Taça das Taças era disputada pelos vencedores das Copas dos principais países da UEFA e era um dos principais torneios do continente. Depois das conquistas, Taffarel foi para o Reggiana em 1993, onde ficou até 1994. Suas atuações ajudaram a manter o clube na primeira divisão, bem como ser considerado um dos melhores goleiros do campeonato italiano de 1994. Naquele ano, porém, ele teria mais um desafio, que seria o maior de sua carreira: a Copa do Mundo dos EUA.



A maior das chances



Depois de passar por eliminatórias complicadíssimas e bem conturbadas, que teve até frango do próprio Taffarel um uma partida contra a Bolívia, o Brasil entrava com o objetivo maior em ser campeão mundial nos EUA, na Copa de 1994, mesmo com a desconfiança da torcida. Mas Taffarel e todos no grupo da seleção sabiam que aquela era a grande chance deles. E não comprometeram. Taffarel levou apenas um gol na fase de grupos da Copa, no empate contra a Suécia. O Brasil se classificou na primeira posição, e enfrentou os EUA nas oitavas de final. Em um jogo duríssimo, vitória por 1 a 0, e vaga nas quartas de final. Em mais um jogo complicadíssimo e tido como o melhor da Copa, o Brasil venceu a Holanda por 3 a 2 e foi às semifinais. De novo contra a Suécia, a seleção dessa vez venceu por 1 a 0, e fez a decisão contra um velho conhecido: a Itália.

Sai que é sua Taffarel!



O jogo contra os italianos teve o zero no placar durante os 90 minutos do tempo normal e nos 30 minutos da prorrogação. Taffarel mantinha a meta brasileira intacta, confirmando a zaga verde e amarela como uma das melhores do mundial, com apenas três gols sofridos em sete jogos. Na decisão por pênaltis, ele fez história ao ser o primeiro e único goleiro a defender uma cobrança em um jogo final de Copa do Mundo. O atacante Massaro sucumbiu diante do goleiro brasileiro, e perdeu sua cobrança. Foi ali que nasceu o célebre bordão “sai que é sua Taffarel!”, gritado pelo locutor Galvão Bueno. A defesa foi fundamental para o Brasil conquistar o tetracampeonato mundial, título que o país esperava há 24 anos.



Consagração



O título mundial consagrava de vez Taffarel como um dos melhores goleiros do planeta, e ele virava um dos maiores ídolos daquela geração, ao lado de Romário e Bebeto. Após a Copa, muitos achavam que ele defenderia um grande clube da Europa, devido a sua atuação magnífica no mundial e a sua valorização. Mas ele, assim como Romário, voltou a jogar no Brasil, mais precisamente no Atlético Mineiro.

Enfim, campeão no Brasil



Taffarel conseguiu o que tanto buscou no Inter na década de 80 apenas anos depois, no Galo: ser campeão. Recebido com muita festa e em desfile pelas ruas de BH, Taffarel conquistou logo em seu primeiro ano (1995) o Campeonato Mineiro. Dois anos depois, dois títulos: a Copa Conmebol (atual Sul Americana), conquistada depois de uma conturbada partida contra o Lanús, da Argentina, e a Copa Centenário de Belo Horizonte, torneio amistoso disputado por clubes como Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, América-MG, Benfica (POR), Milan (ITA) e Benfica (POR). Em 1998, Taffarel foi novamente assediado por uma proposta do futebol europeu, e fechou sua transferência para o Galatasaray, da Turquia. Desconhecido por todos, muitos pensavam que a ida do goleiro ao clube turco seria uma verdadeira “cilada”. Mas o que se viu nos anos seguintes foi algo bem diferente… Antes, Taffarel teria ainda um novo desafio com a seleção: a Copa do Mundo de 1998.

Novos milagres



Antes da Copa, Taffarel brilhou novamente em outro torneio, na Copa América de 1997, quando defendeu dois pênaltis contra a Argentina nas semifinais e ajudou a seleção a vencer novamente a competição. Na Copa do Mundo, o Brasil era um dos grandes favoritos ao título, com parte da geração campeã de 94 e novos talentosos jogadores, principalmente o atacante Ronaldo, que vivia uma fase maravilhosa. Taffarel brilhou novamente, principalmente nas semifinais, em outro jogaço contra a Holanda. Após empate em 1 a 1, os times disputaram a vaga na final nos pênaltis. E Taffarel, perito no assunto, defendeu duas cobranças, de Cocu e Ronald de Boer. Novamente, o goleiro foi herói e todos acreditavam no penta.



Adeus, sonho do penta

Depois do ápice nas semifinais, veio o drama na final. Com Ronaldo praticamente nulo em campo após uma convulsão antes da partida, Taffarel e companhia sucumbiram diante da França. A derrota encerraria de maneira triste a participação do goleiro em Copas. Restava, então, encerrar dignamente sua carreira com boas atuações em clubes. E foi o que aconteceu.

Herói e o melhor momento em clubes



No Galatasaray, Taffarel viveu seu melhor momento na carreira em um clube. Levantou sete troféus: dois Campeonatos Turcos (1999 e 2000), duas Copas da Turquia (1999 e 2000), uma Copa da UEFA – atual Liga Europa (2000) e uma Supercopa da UEFA (2000). O ápice foi justamente na Copa da UEFA, quando parou o grande Arsenal de Henry, Bergkamp, Vieira, Overmars e Petit na decisão, que ficou 0 a 0. Na decisão por pênaltis, sempre nela, Taffarel brilhou como sempre. O goleiro brasileiro mostrou que, quando não defende, enche o gol com sua sorte. Os chutes na trave de Suker e Vieira foram prova disso, e Taffarel garantiu para o Galatasaray o principal título da história do clube turco, e o maior do futebol do país. Nunca um clube da Turquia conseguiu tanto sucesso quanto o Galatasaray de Taffarel, Hakan Sükür, Gheorghe Hagi e Gheorghe Popescu.



O time finalizaria seu momento mágico com o título da Supercopa da UEFA, batendo o poderoso Real Madrid na final por 2 a 1. Era o quarto em apenas um ano. Taffarel nunca fora tão feliz, e se transformou em ídolo no clube.



Fim com chave de ouro

Em 2001, Taffarel decidiu encerrar a sua brilhante carreira no Parma, o primeiro clube que ele defendeu na Europa. Ele ainda teve tempo de vencer um último título, de campeão da Copa da Itália, em 2002. Em 2003, aos 37 anos, Taffarel dava adeus ao futebol, como um dos mais renomados, hábeis, carismáticos e brilhantes goleiros que o futebol já viu, e ídolo por todos os clubes que passou. Feito para poucos. Apenas para imortais, como Cláudio André Taffarel.



Números:

Disputou 123 partidas pela Seleção Brasileira, de 1987 até 1998.

É o único goleiro campeão mundial da história a defender um pênalti numa final de Copa do Mundo.

É o único jogador da Seleção Brasileira a nunca ser substituído em três Copas do Mundo consecutivas: 1990, 1994 e 1998, num total de 18 jogos como titular absoluto.

É recordista em jogos como goleiro brasileiro na história das Copas América, com 25 partidas em 5 edições disputadas: 1989, 1991, 1993, 1995 e 1997.

Foi considerado o 88º maior jogador de futebol de todos os tempos e 5º maior goleiro da história do futebol mundial, eleito em 2007, pela Association of Football Statisticians na lista “Top 100 Soccer Stars of All-Time”.

Em janeiro de 2012 foi eleito pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatística do Futebol) o 10º melhor goleiro da história, na eleição de “Melhor Goleiro do Quarto de Século”, em lista que relacionou os maiores nomes da posição desde 1987.



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